Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Monólogo (Parte I)

Como estais alteza?- cumprimento-o com uma ligeira vénia, afastando dele  os meus olhos. E sua alteza passa por mim, sem reparar, do alto da tua magnificiencia, envolvido no seu manto real. E aí começa o meu triste monólogo que sou incapaz de proferir na sua presença, por medo e por vergonha.

"Sabeis, majestade, o quão importante sois para mim? Do alto da sua altivez alguma vez olhou para baixo e reparou em mim, dama fiel e dedicada ao seu encantador Rei? Sei que não, não passo de um espectro, de uma entre as muitas damas que desejavam tê-lo, nem que por apenas por uma noite. Sim, meu Rei, sei que para si não passo de de uma dama tola porque espero que um dia posa reparar em mim e me fazer a sua rainha. Mas ao contrário de todas as outras, eu não desejo esse título, não desejo o poder, a riqueza e a fortuna que vós me poderieis dar, não, para mim bastava o vosso amor.

Em toda esta minha insgnificante existencia, tenho- vos seguido os passos, tentando que repareis em mim. Se escutardes com atenção sabereis que a voz que vos embala é a minha, que a voz que sussura palavras de consolo é a minha, que a voz que ouvis no silêncio do palácio cantando palavras de amor é a minha. Se vos dignares a escutar com atenção todos os murmúrios que vos perseguem, sabereis o quanto sois importante para esta dama a quem chamam tola por ainda acreditar no impossível.

Conheço o meu Fado e sei que nada posso pedir para mim, pois vós nunca me pertencereis. Vós nunca vos dignareis a deixar o vosso coração escutar a minha voz, sois demasiado orgulhoso para isso. Conheço o meu Fado e sei que a minha vida se resumirá apenas a seguir-vos os passos, pacientemente, a estar do vosso lado sem vós o noteis. Sei que a minha vida será sempre dedicada a vós, às vossas preocupações e tristezas, às vossas alegrias. Serei sempre a dama que vos embala no silêncio da noite, que vos clama palavras de amor, que vos limpa as lágrimas, sem nunca ser ouvida ou vista por vós. Triste condição a minha!" O meu monólogo é silenciado pela aproximação de passos lentos e arrastados, o meu Rei voltou à sala e sei que nada do que disse pode ser ouvido por alguém. O som dos passos torna-se mais forte, mais ensurdecedor.

E de repente regresso à realidade, tu não és o Rei e eu não a Dama, somos apenas nós, vivendo a mesma história, mas numa época mais recente.

       

 

música: Xandria
sinto-me: Confusa

publicado por Morceguinha às 22:32
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2 comentários:
De Flá a 26 de Janeiro de 2008 às 12:35
Por vezes, os que julgamos intocáveis , aqueles que pensamos que não olham para baixo e que não reparam por tanto nem em nós nem no nosso olhar de encantamento que fazemos quando os vemos...pensam a mesmíssima coisa de nós, porque nem sempre temos coragem de nos olharmos nos olhos.

desculpa a intromissão

beijo


De joao barreto a 23 de Abril de 2008 às 09:00
profundo gostei do que li..

tambem me sinto confuso como tu =\


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