Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007

Sem título

Vento onde estás? Também tu me abandonaste? Também tu desististe de mim? Sinto-me só sem a tua companhia, sem as tuas palavras que me recordam aquio que por passei e o que devo e tenho de fazer. Onde foste? Já não ouço o teu sussuro quando percorro as ruas da cidade, já não ouço o teu grito a atravessar as frestas da janela.

Também tu não aguentaste acompanhar dia após dia o meu verdadeiro ser, que tu conhecias profundamente, também tu não conseguiste suportar conviver com o fantasma em que me transformei. Não suportaste ouvir o meu riso falso, que teimo em usar na escola, com os amigos apenas para me proteger e fingir que estou bem. Não suportaste continuar a acompanhar os meus arrastados passos, a minha continua mortificação e tortura.

Deixaste-me e por isso sei que nunca poderei mostrar o que realmente sou aos que me rodeiam, pois também eles me deixariam, pois nunca suportariam ver o que todos os dias eu vejo ao espelho.  

Por favor vento, volta acompanhar os meus passos, quero voltar a sentir a tua brisa na minha pele, relembrando-me que apesar de todo o sofrimento ainda existe alguma vida em mim. Preciso da tua presença.

E a ti meu amor, que posso eu continuar a dizer? Também tu já me deixaste há muito, também tu foste embora. Há momentos em que apenas desejo ouvir a tua voz, sentir os teus braços a abraçar-me protegendo-me dos meus fantasmas, mas nunca mais terei essa possibilidade. Se ainda sinto o teu cheiro na rua? Sim, continuo a senti-lo e sinto um aperto no coração cada vez que isso acontece. Se soubesses o quanto ainda me pertuba sentir, ouvir, cheirar, ler algo que tenha um pouco do que eras, um pouco de ti, ou pouco da nossa história. Se soubesses a agonia constante em que ainda vivo por não te ter. Sim, talvez, já seja obsessão ou talvez não, não sei. Apenas sei que não está perto de mim e continuo a pensar em ti como se te visse todos os dias. Sinto a tua falta.

Não sei mais que caminho percorrer, sinto-me no meio de nada, perdida entre multidões que me atravessam sem notar. Não vejo o fim de tudo isto, não vejo o dia de amanhã, e mesmo o de hoje tenho dificuldades em o descobrir. Já não sou aquela rapariga que não se deixava abater e que lutava com todas as forças contra a tristeza. Simplesmente, já não tenho qualquer força a que possa recorrer para enfrentar a minha triste escolha. 

Vento preciso de ti, das tuas palavras, preciso ter-te perto para conseguir enfrentar cada dia com a cabeça erguida, mesmo que por dentro esteja miserável. Volta depressa para mim, uma vez que o meu amor nunca mais vai voltar. 

     

sinto-me:
música: Lucifer's Angel - The Rasmus

publicado por Morceguinha às 21:47
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