Quarta-feira, 11 de Março de 2009

Ser, Existir e Viver

 

   Olho para trás numa espécie de introspecção irregular, numa revolta e difusa recordação de tempos distantes, bem no fundo do meu passado. Um passado recente, presente, um passado de mágoas e de esperanças perdidas, um passado do qual desejo fugir. O futuro incerto e indefinido afigura-se ao longe, bem junto à linha do horizonte que tantas vezes observo ao fim do dia, sentada na areia fria de uma praia deserta. O presente, esse, não é mais do que uma mortificação por um passado que teima em seguir de perto todos os meus passos e atormenta os meus dias numa tentativa incessante de me aprisionar e prender para sempre a ele. E os dias vão passando divididos entre o relembrar do passado neste meu presente, procurando sempre no horizonte o vislumbre de um futuro que espero ser melhor do que o dia de hoje. Procuro esquecer, fingir que a pessoa que fui não passa de um pesadelo ou de um sonho ou ilusão e não de algo concreto e real… Fui feliz e infeliz, criança e mulher, amada e odiada, fui mil e uma coisas e ao mesmo tempo fui nada… Anulei-me numa vertiginosa jornada em busca de mais do que poderia ter, anulei-me na eterna espera de alguém que não me pertencia, anulei-me ao lutar pelo que estava condenado a morrer e no fim não sobrou de mim nada mais que uma sombra. O vazio que ficou em mim fechou-me do mundo, arrastou-me para um precipício íngreme, empurrou-me para uma morte quase certa… Mas ainda assim lutei, procurei forças onde achei que não fosse encontrar, não me resignei ao que parecia ser o meu destino… Caí e levantei-me, chorei e gritei em silêncio no resguardo do meu quarto, sorri para o mundo numa falsa pretensão de que nada me atingira, tive medo mas continuei… Durante anos vivi e não vivi, deambulei entre a vontade de mudar e a cobardia de morrer, fugi e enfrentei e por fim regressei…
   Ao olhar para trás sinto ainda presente o cheiro do medo, a voz da tristeza, o paladar da mágoa, a dor das lágrimas… Os fantasmas encontram-se ainda à espreita, esperando um momento de fraqueza, um sinal de recuo da minha parte, mas recuso-me a ceder a uma vida que nunca desejei para mim, recuso-me a voltar a ser alguém que eu própria odiei… Hoje vou ao encontro de mim, reconstruindo-me, repensando-me e reinventando-me… As lágrimas não mais farão parte de mim, a fragilidade não estará mais presente, a inocência e a ingenuidade perderam-se para sempre... Hoje sou alguém de quem sinto poder orgulhar-me, reaprendi a sentir, a confiar, a escutar, a sorrir e em breve poderei reaprender a amar. Ainda olho o passado, mas cada vez mais o vejo de forma desfocada, fez parte da minha vida mas não mais poderá fazer parte dela. A vida continua para mim e é ao olhar o passado que sei que tal milagre aconteceu, é ao olhar o passado que sei que não mais poderei cometer um erro igual ao que cometi quando ainda criança… Não mais me esquecerei de mim em detrimento de outro alguém, amar não é destruir-se, não é dar-se cegamente, não é viver em função do outro… Sei hoje que a vida nunca será um conto de fadas, nunca será um mar de rosas, mas sei que estou preparada para enfrentar o que o futuro me reserva, ainda que nem sempre escolha os melhores caminhos, ainda que escolha os mais tortuosos… Não sou mais o que em tempos fui, não sou melhor nem pior, sou, existo e mais do que isso vivo.                               
 
música: Gostar de ti - Rita Guerra

publicado por Morceguinha às 18:47
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Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

Regressão

    A vida escoa-se aos poucos como grãos de areia que escoam por entre os dedos. O tempo passa, esse eterno viajante que não espera e não perdoa. as luzes vindas dos candeeiros de rua iluminam o quarto escuro onde me encontro, preenchendo o espaço vazio, reflectindo-se nas paredes despidas.

    Sentada no chão ouço os poucos carros que ainda passam na rua e interrompem o silêncio do meu quarto. Tenho os olhos vermelhos das lágrimas que ainda há pouco derramei e que ainda escorrem pela minha face. Não consigo dormir, a minha alma inquieta procura a sua cura. Hoje, uma vez mais, o cansaço da vida voltou-me a atormentar, hoje voltei-me a sentir a LostSarah e não o que hoje sou. O passado voltou e com ele voltaram as lágrimas, a dor, as dúvidas, as eternas feridas abertas que constantemente tento remendar. Tantas palavras que guardei, tantas mágoas que fingi apagar, tantos sorrisos falsos que dei, tanto sarcasmo que usei, tanta máscara que coloquei.

    Há 19 meses que quis mudar a minha vida, há 19 meses que me agarro a pequenas coisas, há 19 meses que escolhi o meu caminho,há 19 meses que enterrei o meu antigo eu. E desde há 19 meses que travo uma luta dentro de mim própria contra o meu antigo eu, mas hoje as minhas forças esgotaram-se. Ao olhar para algumas pessoas revejo-me a mim mesma e sem dar conta baixo a guarda deixando que a LostSarah tome conta de mim uma vez mais.

    Há 16 meses que revelei um dos meus fantasmas à minha melhor amiga e há 16 meses que raramente o recordo. Mas agora sentada no chão frio sou assolada uma vez mais por fantasmas do passado. Por momentos sinto o ar escapar por completo dos meus pulmões como um flashback daquilo que passei. Não sou capaz de o admitir, porque uma vez mais há palavras que teimam em não sair de mim, que teimam em atormentar-me,  em perseguir-me.

    Os fantasmas monopolizam-me pois a coragem é pouca e as minhas mãos não conseguem concretizar aquilo qe eu mais anseio. a dor no peito aumenta por me sentir fraca, vulnerável... Sinto o coração estilhaçar-se uma vez mais e as lágrimas voltam aos meus olhos. Fecho os olhos por instantes e revejo toda a minha vida, ouço gritos, sussurros e choros ecoando na minha mente já debilitada. Quero gritar, mas a voz mais ma vez não sai. As lágrimas caem já dos meus olhos turvando-me a vista enquanto escrevo.

    Por mais anos que passem sei que num ou noutro momento serei perseguida pelos fantasmas da minha vida e que uma vez mais não conseguirei afastá-los, combatê-los pois uma vez mais me faltará a coragem. Nos momentos de desespero anseio o dia em que tenha alguém a meu lado que me abrace enquanto as minhas lágrimas caem, não tentanto mudar o meu ser e aceitando-me tal como sou, com os meus fantasmas, os meus medos, as minhas fragilidades... Mas noutros momentos dou por mim a pensar que talvez nunca chegue a conhecer alguém por deixar que o cansaço me consuma de vez e que me leve para longe... O futuro é incognito e a noite ainda é uma criança... 

    As lágrimas caem... A alma grita... A coragem falta... O tempo passa... O passado volta... As lágrimas cessam... A alma adormece... A coragem é esquecida... O tempo passa... O passado é cada vez mais distante... O cansaço volta... As lágrimas caem... A alma grita... O tempo passa... O passado volta... As lágrimas cessam... A alma adormece... A coragem é desnecessária... O tempo passa... O passado é cada vez mais distante... O cansado volta... A alma grita... A coragem aparece... O tempo pára... Os fantasmas vencem... As lágrimas cessam... O passado morre comigo!        

sinto-me: cansada da vida

publicado por Morceguinha às 00:46
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Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Lua Cheia

 

     Olhando pela janela, vejo o vento agitar as copas das árvores de forma mais ou menos violenta, numa dança vertiginosa e descompassada. Um novo ritmo, um novo som, uma nova batida, uma nova melodia, uma nova dança. Neste fim de tarde o sol brilha intensamente entrando pelo meu quarto, atingindo o meu corpo com os seus raios, aquecendo-me. Mas por momentos o sol desaparece por entre as nuvens que persistem em cruzar os céus, escondendo a minha fonte de calor. E contudo, apesar das nuvens está um magnífico fim de tarde. Sinto a nostalgia de tempos passados invadir-me o pensamento e fixo o meu olhar na paisagem sem realmente fixar alguma coisa, olhando sem ver. Por momentos sinto-me feliz como se estivesse a viver novamente todos aqueles bons momentos que fizeram parte da minha vida e que já há muito tempo aconteceram. Por momentos, os meus lábios formam um sorriso sincero ao imaginar e reviver todos os sorrisos, todas as lágrimas de felicidade, toda a alegria, toda a inocência, todo o sentimento, todo o bater acelerado do coração que um dia experimentei.
     Contemplando este fim de tarde solarengo, sinto-me invadida de uma sensação de pura felicidade e de liberdade, pela lembrança de tempos passados que definiram o meu presente. Mas o sol depressa se põe, escondendo os seus raios do meu corpo, privando-me daquela sensação de aconchego, de conforto, tirando-me todo o calor que sentia. E tal como o sol desaparece dando lugar a uma noite escura, em que a lua se esconde por entre as nuvens cinzentas que cobrem o céu, também as boas lembranças dão lugar às más recordações. A nostalgia de tempos felizes dá lugar à raiva, à dor e à mágoa. A minha mente recorda agora todas as lágrimas de tristeza choradas ou reprimidas, toda a raiva contida, toda a mágoa escondida, todo o grito sufocado. O fim de todos aqueles momentos felizes, de toda aquela inocência, em parte devido às minhas decisões e às tuas indecisões. Após alguns anos recordo ainda todos os momentos que partilhamos, bons ou maus e sinto um vazio enorme. Já não sei o que é realmente viver ou o que é realmente sentir. Vivo de ilusões, de falsas imagens de felicidade, de sorrisos fingidos, de sentimentos imaginados. No meu mundo já só existo eu, fechei todas as portas impedindo que alguém se aproxime, empurrando-me e condenando-me a mim própria a uma caminho solitário e tortuoso. Sei quantas vezes tentei deixar entrar alguém, um ombro amigo que me pudesse enxugar as lágrimas, mas nunca o consegui fazer.
     Agora olhando novamente pela janela, percebo que o calor que eu senti durante o final de tarde não passou de uma ilusão, apenas a minha pele sentiu aquele calor e a minha alma continuou fria, sem uma réstia de sol que a pudesse aquecer da forma como tu fazias. Já sequei todas as lágrimas, mas ainda não curei todas as feridas. Ao olhar esta noite de verão em que as nuvens cobrem o céu, sinto-me mais uma vez só. O vazio que deixaste em mim não pode ainda ser preenchido, o meu mundo do qual tu fazias parte não pode ainda receber mais ninguém, o meu coração que sempre te pertenceu não pode ainda ser de outro alguém. Olhando uma última vez a noite vejo a tua face, o teu sorriso luminoso, mas não da mesma forma distinta e clara a que eu estava habituada. Aos poucos sei que tu desaparecerás para sempre e será para mim cada vez mais difícil visualizar a tua imagem até que um dia não existirá mais lugar para ti no meu mundo, até que um dia tu desapareças para sempre tal como as nuvens desaparecerão do céu, deixando que milhares de estrelas iluminam a noite conjuntamente com uma enorme lua cheia.               
sinto-me: Indecisa como o tempo
música: Fall to Pieces - Avril

publicado por Morceguinha às 23:17
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Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

Apenas Um Abraço

 

    Um abraço pode mudar o mundo, pode mudar uma vida. Um simples abraço teria feito diferença, determinaria o meu caminho, determinaria a minha personalidade. Hoje, mais do que qualquer dia, percebo o quanto esse abraço me fez falta, o quanto a ausência desse abraço tão precioso que nunca me foi dado, poderia ter influenciado a minha vida, o quanto eu poderia ser diferente se tivesse tido direito a esse teu abraço. Não, nunca o tive, no pior momento da minha vida não foste capaz de fazer o que era realmente necessário.
    Recordo aquele dia como se ainda estivesse a vivê-lo. Estava preocupada contigo, tinham-me dito que estavas bêbado. Nesse dia, mais do que nunca senti uma dor enorme por não estar a teu lado… Não sei como reparaste que não estava bem, vieste ter comigo mostrando-me que estavas bem, mas eu não conseguia estar. Eu pertencia à equipa feminina de inter-turmas de futebol, mas recusei-me a jogar… Vieste ter comigo mais uma vez, querendo-me levar pelo menos a assistir ao jogo, mas não conseguiste. Fiquei a vaguear pela escola, sozinha, perdida mais uma vez na minha tristeza. Há mais de um mês que era essa a minha rotina, longe de tudo e todos, passando intervalos sozinha a chorar, passando a maioria dos dias sem sequer me dar ao trabalho de almoçar. Antes mesmo de tocar para a aula, a seguir à minha hora de almoço, cruzei-me contigo, mais uma vez quiseste saber se estava bem, e eu apenas disse que estava mais ou menos, não conseguia falar, não conseguia gritar que não estava e que a culpa era tua. Fui para a porta da sala à espera. A minha melhor amiga chegou e gritou comigo, acusou-me de traição por nem sequer ter ido assistir ao jogo… Não aguentei mais atirei com o livro de ponto ao chão, com a minha mochila e fui a correr para a rua a chorar. Duas raparigas da turma vieram ter comigo, mas ele, que tinha assistido à cena toda, veio atrás de mim, mandou-as embora e ficou apenas ele. Perguntou-me o que se passava, porque estava assim, não fui capaz de dizer tudo o que sentia e ele apenas se limitou a tentar consolar-me com as suas palavras. Não tive aula e por isso fui para o meu cantinho preferido, simplesmente já não sabia estar com ninguém, e mais uma vez ele veio ter comigo. Ficou ali apenas, tentando animar-me o que consegui por momentos… Chegamos a uma fase mais próxima, mais cúmplice, e tu próprio admitiste que se não tivesse tocado para intervalo me terias beijado. Passaste quase duas horas comigo, tentando reparar o que tinha quebrado há já algum tempo, mas não percebeste que era isso que estavas a fazer.
     Esse foi o pior dia da minha vida, o dia que determinou tudo o que hoje sou. Se hoje sou triste, se hoje não consigo ainda amar alguém, se hoje sou insegura, se hoje me sinto só, se hoje ainda choro no silêncio, se hoje ainda me isolo quando estou destroçada e magoada, foi tudo por tua culpa. Por culpa daquele abraço que eu precisei e nunca recebi de ti. Não precisava de mais nada do que um simples abraço, em vez de todas as tuas palavras, em vez de todos os teus sorrisos, de toda a tua preocupação, precisava desse abraço. Quando me seguiste quando eu fugi para a rua, se me tivesses dado esse abraço de conforto, se me tivesses deixado chorar agarrada a ti, teria tudo sido diferente. Hoje não seria mais uma sombra de alguém que já amou demais e saiu magoada, não teria o brilho dos meus olhos apagado, não passaria os dias à procura de alguém que te possa substituir. Aquele dia determinou tudo o que já vivi até hoje de uma forma inexplicável. O que para muita gente não passaria de um mau dia quando se tem 13 anos, para mim foi a construção de uma nova Sara, de um novo eu. Não importo que digam que era muito nova, que não sabia amar… Eu sei o que senti e sei o que fizeste em mim… Os dias que precederam o desabar do meu mundo marcaram de modo definitivo a minha vida, mas a falta daquele abraço….
    Nunca soubeste entender o meu ser, nem nunca o procuraste fazer. Sim, hoje sei que marquei a tua vida, mas não da mesma forma que tu marcaste a minha. Sim, hoje sei que também já te fiz chorar, mas não tanto como tu me fizeste a mim. Sim, hoje sei que me amaste, mas terá sido do mesmo modo que eu te amei? Não sei, nem nunca o poderei saber… Nunca fomos capazes de lutar por nós, nunca tivemos a coragem de enfrentar as adversidades para ficarmos juntos… Por mais que eu tivesse lutado por um “nós” nunca poderia ter vencido essa batalha, porque tu simplesmente não estavas a meu lado disposto a fazer tudo para me ter a teu lado… Sempre preferiste a comodidade, sempre preferiste ter o estatuto de conquistador, de irresistível a lutar por aquilo que realmente querias… Sempre ouviste mais a voz dos teus amigos do que do teu próprio coração, quanto vezes me magoaste por causa desses teus supostos amigos… Destruíste, mesmo que inconscientemente, tudo aquilo que eu era… A menina sonhadora, a menina risonha, a menina alegre, a menina lutadora, a menina ingénua morreu aos poucos e foi para sempre enterrada, quando no fim me negaste o abraço de consolo, a segurança dos teus abraços… Como foi possível não perceberes que era isso que eu mais precisava? Como foi possível acreditares que toda aquela tristeza era apenas por estar afastada das minhas amigas? Como foi possível não teres percebido o que quanto me destruías de cada vez que me davas esperanças de um recomeço para nós? Sei que não eras insensível, eras apenas cego…
    Sei que já me pediste desculpa, mas isso não altera o facto de a minha vida ter tomado este rumo… Isso não altera o facto de me teres negado a possibilidade de ser feliz e de te teres negado a ti próprio, ao teu coração… Foste e sempre serás insubstituível… Foste e sempre serás o meu primeiro amor… Tudo que sentir depois de ti jamais será igual ao que foi, ou será tão grandioso, tão explosivo, poderá ser igualmente bom, mas não será o mesmo…
    Hoje mais do que nunca sei o quanto o teu abraço poderia ter mudado tudo! Hoje mais do que nunca sei que fui dependente de ti de uma forma que achava que nunca poderia ser… Quase todas as minhas lágrimas foram derramadas em teu nome… Se me arrependo de as ter chorado? Não sei, porque simplesmente hoje ainda choro, mas não já por te amar, mas por perceber o quanto afectaste a minha vida, o quanto influenciaste a formação da minha personalidade… Sei que por muitos anos que passem não mais voltarei a ter o mesmo sorriso… Ao poucos e poucos recuperarei o sorriso verdadeiro e deixarei o fingido para trás, mas sei também que esse sorriso, não será o mesmo que tive um dia… Porque o passado não pode simplesmente ser apagado, temos é de aprender a conseguir viver com ele.
    E se um dia nos voltarmos a ver, se um dia te encontrar na rua, serei eu a dar-te o abraço que gostaria de ter recebido… Um abraço de agradecimento, porque apesar da ausência desse abraço me ter tornado numa pessoa que ainda estou a aprender a gostar, apesar de ter me levado para um caminho mais difícil, também me ajudou a aprender a levantar-me sozinha, ajudou-me a crescer, a fortalecer-me, a ser capaz de enfrentar os problemas de frente não demonstrando medo (apesar de o sentir). Sim, devido a ausência, apesar de ser triste, sou mais forte e autónoma. E apesar de todas as coisas más, dou por mim a agradecer-te por não me teres dado esse abraço.                                           
sinto-me: Vulnerable
música: Vulnerable - Secondhand Serenade

publicado por Morceguinha às 01:10
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Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Fingimento

  Dias e dias sob a máscara do fingimento. Dias e dias suportando o meu eu inventado.

  Finjo ser o que não sou e enfrento o mundo de frente. Ergo a cabeça e finjo que nada nem ninguém me pode derrubar. Ignoro quem me detesta, rio dos que troçam de mim, rebaixo os que me chateiam, sorrio para todos os que dizem gostar de mim. Escondo-me por detrás de uma máscara de frieza e indiferença. E no fundo estou apenas a fingir.

  Finjo para me proteger. Finjo para que ninguém me possa controlar. Finjo para assegurar que nunca ninguém terá acesso ao meu ser como tu tiveste, pois sei o quanto me magoou abrir o meu mundo a alguém que apenas o soube desprezar. Finjo porque sou fraca e indefesa. Finjo para apagar o vazio que ficou em mim. Finjo dia após dia.

  Jamais, algum dia alguém me conhecerá realmente, pois guardarei sempre algo de mim, para que seja apenas meu. E mesmo quando a dor passar, sei que jamais poderei e conseguirei abrir o meu ser a alguém.  

  Magoa saber o que fui, magoa saber o que sou, magoa saber o que serei. Magoa saber que nunca mais partilharei tudo com alguém. Magoa ter perdido a capacidade de entrega. Magoa ter perdido a capacidade de confiar. Magoa fingir. Magoa....

 

sinto-me:
música: Coisas que eu sei - Danni Carlos

publicado por Morceguinha às 23:15
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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Monólogo (Parte I)

Como estais alteza?- cumprimento-o com uma ligeira vénia, afastando dele  os meus olhos. E sua alteza passa por mim, sem reparar, do alto da tua magnificiencia, envolvido no seu manto real. E aí começa o meu triste monólogo que sou incapaz de proferir na sua presença, por medo e por vergonha.

"Sabeis, majestade, o quão importante sois para mim? Do alto da sua altivez alguma vez olhou para baixo e reparou em mim, dama fiel e dedicada ao seu encantador Rei? Sei que não, não passo de um espectro, de uma entre as muitas damas que desejavam tê-lo, nem que por apenas por uma noite. Sim, meu Rei, sei que para si não passo de de uma dama tola porque espero que um dia posa reparar em mim e me fazer a sua rainha. Mas ao contrário de todas as outras, eu não desejo esse título, não desejo o poder, a riqueza e a fortuna que vós me poderieis dar, não, para mim bastava o vosso amor.

Em toda esta minha insgnificante existencia, tenho- vos seguido os passos, tentando que repareis em mim. Se escutardes com atenção sabereis que a voz que vos embala é a minha, que a voz que sussura palavras de consolo é a minha, que a voz que ouvis no silêncio do palácio cantando palavras de amor é a minha. Se vos dignares a escutar com atenção todos os murmúrios que vos perseguem, sabereis o quanto sois importante para esta dama a quem chamam tola por ainda acreditar no impossível.

Conheço o meu Fado e sei que nada posso pedir para mim, pois vós nunca me pertencereis. Vós nunca vos dignareis a deixar o vosso coração escutar a minha voz, sois demasiado orgulhoso para isso. Conheço o meu Fado e sei que a minha vida se resumirá apenas a seguir-vos os passos, pacientemente, a estar do vosso lado sem vós o noteis. Sei que a minha vida será sempre dedicada a vós, às vossas preocupações e tristezas, às vossas alegrias. Serei sempre a dama que vos embala no silêncio da noite, que vos clama palavras de amor, que vos limpa as lágrimas, sem nunca ser ouvida ou vista por vós. Triste condição a minha!" O meu monólogo é silenciado pela aproximação de passos lentos e arrastados, o meu Rei voltou à sala e sei que nada do que disse pode ser ouvido por alguém. O som dos passos torna-se mais forte, mais ensurdecedor.

E de repente regresso à realidade, tu não és o Rei e eu não a Dama, somos apenas nós, vivendo a mesma história, mas numa época mais recente.

       

 

sinto-me: Confusa
música: Xandria

publicado por Morceguinha às 22:32
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Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007

Sem título

Vento onde estás? Também tu me abandonaste? Também tu desististe de mim? Sinto-me só sem a tua companhia, sem as tuas palavras que me recordam aquio que por passei e o que devo e tenho de fazer. Onde foste? Já não ouço o teu sussuro quando percorro as ruas da cidade, já não ouço o teu grito a atravessar as frestas da janela.

Também tu não aguentaste acompanhar dia após dia o meu verdadeiro ser, que tu conhecias profundamente, também tu não conseguiste suportar conviver com o fantasma em que me transformei. Não suportaste ouvir o meu riso falso, que teimo em usar na escola, com os amigos apenas para me proteger e fingir que estou bem. Não suportaste continuar a acompanhar os meus arrastados passos, a minha continua mortificação e tortura.

Deixaste-me e por isso sei que nunca poderei mostrar o que realmente sou aos que me rodeiam, pois também eles me deixariam, pois nunca suportariam ver o que todos os dias eu vejo ao espelho.  

Por favor vento, volta acompanhar os meus passos, quero voltar a sentir a tua brisa na minha pele, relembrando-me que apesar de todo o sofrimento ainda existe alguma vida em mim. Preciso da tua presença.

E a ti meu amor, que posso eu continuar a dizer? Também tu já me deixaste há muito, também tu foste embora. Há momentos em que apenas desejo ouvir a tua voz, sentir os teus braços a abraçar-me protegendo-me dos meus fantasmas, mas nunca mais terei essa possibilidade. Se ainda sinto o teu cheiro na rua? Sim, continuo a senti-lo e sinto um aperto no coração cada vez que isso acontece. Se soubesses o quanto ainda me pertuba sentir, ouvir, cheirar, ler algo que tenha um pouco do que eras, um pouco de ti, ou pouco da nossa história. Se soubesses a agonia constante em que ainda vivo por não te ter. Sim, talvez, já seja obsessão ou talvez não, não sei. Apenas sei que não está perto de mim e continuo a pensar em ti como se te visse todos os dias. Sinto a tua falta.

Não sei mais que caminho percorrer, sinto-me no meio de nada, perdida entre multidões que me atravessam sem notar. Não vejo o fim de tudo isto, não vejo o dia de amanhã, e mesmo o de hoje tenho dificuldades em o descobrir. Já não sou aquela rapariga que não se deixava abater e que lutava com todas as forças contra a tristeza. Simplesmente, já não tenho qualquer força a que possa recorrer para enfrentar a minha triste escolha. 

Vento preciso de ti, das tuas palavras, preciso ter-te perto para conseguir enfrentar cada dia com a cabeça erguida, mesmo que por dentro esteja miserável. Volta depressa para mim, uma vez que o meu amor nunca mais vai voltar. 

     

sinto-me:
música: Lucifer's Angel - The Rasmus

publicado por Morceguinha às 21:47
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

Silent Scream

O fingimento em que vivo está a desaparecer. Sinto-me exposta a todos os que passam e que olham distraidamente. Não sei o que irei fazer no dia em que não conseguir fingir mais, no dia em que não conseguir esconder a minha fragilidade emocional. Tenho medo desse dia, no dia em que ficarei vulnerável a todos os que convivem comigo, mas que não têm acesso ao meu ser. Tenho medo da reacção dos que me rodeiam, não sei será de pena ou de desprezo.

A tua presente ausência a que não me consigo habituar tem sido cada vez mais sentida nestes últimos dias. Não consigo deixar-te sair do meu coração e da minha fraca mente. Não consigo ser racional quando penso em ti. E toda esta perturbação que provocas em mim me leva a ficar mais fraca e a não conseguir aguentar o papel a que me propus a representar. Não posso deixar que isso aconteça, não quero deixar que isso aconteça e contudo sei que por falar contigo destruo todas as minhas defesas contra os que me rodeiam. Mas não consigo afastar-me, não consigo evitar falar contigo, mesmo que a seguir chore sozinha no meu quarto. Se soubesses o que ainda passo por ti sei que não terias tido essa reacção quando me neguei a ligar a webcam. Ver-te e saber que tu me verias seria sujeitar-me novamente à tua doce tortura. Mas tu não sabes e por isso não te posso censurar. Sei que ver-te novamente provocaria um sofrimento atroz, pois agora, mesmo longe, quando sinto o teu perfume no ar me apetece gritar por ti, mas o grito não sai fica aprisionado ou é apenas um sussurro. Nunca fui capaz de gritar, de expressar tudo o que sentia, e por isso me dói ainda mais por guardo tudo, por silenciar tudo. Gostaria que um dia conseguisses ouvir o meu grito silencioso, o meu pedido de socorro e que nesse dia respondesses afirmativamente à minha necessidade de ti. Talvez seja já obsessão ou apenas o continuo sentimento que tenho guradado no meu coração. Por ti faria tudo, sempre foi assim e tu sabia-lo, mas talvez agora não saibas. Sempre foste especial apesar de imperfeito, sempre foste tu e mais ninguém que levou o melhor de mim. Nunca ninguém teve ou talvez terá o que tu tiveste de mim. E sei que se alguém mais tarde aparecer não terá o que tu tiveste terá algo diferente e provavelmente muito mais imperfeito, mas terá a minha realidade tal como tu tiveste, mesmo que essa realidade seja muito mais negra e disforme do que aquela a que tu tiveste direito. Só te peço que, se ainda tens alguma parte do que levaste de mim, a guardes para sempre, pois essa Sara foi sem dúvida a melhor de mim, pois quem vier depois de ti encontrará uma Sara menos sonhadora e muito mais insegura, uma rapariga de sorriso e olhar triste, com a alma desfeita. Guarda-me para sempre mesmo que nunca mais me recordes.           

sinto-me: Sufocada
música: Silent Scream - Cinema Bizarre

publicado por Morceguinha às 23:24
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Odeio

As estações sucedem-se uma após outra, os anos passam um após o outro e eu sinto-me presa a um tempo passado, a um tempo sem retorno. Já não sinto nada, estou estática e indiferente. Perdi a capacidade de amar alguém para além de ti, pois o meu coração transformou-se num cofre fechado que não quero abrir a ninguém. Sei que a culpa da minha indiferença, da minha incapacidade de voltar a amar e minha e apenas minha e odeio-me por isso.

Odeio tudo o que agora sou, odeio todas as decisões que tomo, odeio querer ficar presa a ti, odeio amar-te como te amo porque isso só me destrói. Quero ser diferente, quero sentir de novo, quero sorrir de novo, quero sonhar de novo, quero reinvertar-me. Mas todas as minhas tentativas fracassam, porque no fundo, e apesar de todo o ódio que tenho a mim própria pelo estado a que me votei, não quero mudar, não quero esquecer, não quero amar. Quero apenas ficar no passado, enquanto todos à minha volta caminham rumo ao futuro.

Não sei porque sou assim, porque insisto no que sei ser impossível. Não sei porque insisto em sofrer, em recordar, em lembrar histórias de amor fantasiadas, canções de amor com significado. Não sei porque insisto em fechar o meu coração para que apenas tu o ocupes quando tu há muito que me deixaste. Não sei porque insisto num nós inexistente desde sempre. Não sei.....

Sei apenas que não te odeio e nunca o fui capaz de fazer. Apenas te amo, mais do que devia, mais do que queria e odeio-me por isso. Por ti deixei de acreditar em príncipes encantados, em histórias de amor com final feliz, porque tudo o que estas contam eu não fui capaz de viver contigo.

Pergunto-me se algum serei capaz de amar outro alguém, se algum dia deixarei que alguém toque tão fundo o meu ser como tu tocaste, se algum dia entregarei o meu coração da forma como o entreguei a ti. Mas a resposta fica sempre em aberto. E odeio-me mais uma vez por chorar por não conseguir resposta. Odeio-me por tudo o que fiz até hoje e por aquilo que pretendo continuar a fazer. Odeio-me.        

sinto-me:
música: Lovesongs(they kill me) - Cinema Bizarre

publicado por Morceguinha às 22:56
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

Mais uma vez

Hoje voltei a viver tudo o que tenho vivido nestes últimos anos. Como se o novo dia fosse a repetição perfeita do anterior, como se vivesse o mesmo dia vezes sem conta, sem nada de novo. Vivo cada dia na monotonia constante da minha realidade, na repetição constante de cada passo dado, na perfeição do replay do meu imperfeito ser.

Mais uma vez senti o teu perfume na rua, por entre os corredores da escola. Mais uma vez quis gritar e fiquei sem voz. Mais uma vez inventei uma nova personagem que não consegui interpretar. Mais uma vez inventei uma nova história para mim que se desfez mal senti o frio da rua. Mais uma vez coloquei uma máscara de fingimento. Mais uma vez fingi ser o que não sou. Mais uma vez quis chorar mas reprimi as lágrimas. Mais uma vez jurei a mim própria esquecer-te e no segundo seguinte voltei a pensar em ti. Mais uma vez murmurei o teu nome. Mais uma vez desejei ter-te aqui comigo. Mais uma vez desesperei com o que vi reflectido no espelho. Mais uma vez tive medo de mim. Mais uma vez me culpei por me ter votado a este degredo de alma e mais uma vez considerei uma boa escolha. Mais uma vez quis dizer-te que te amo e não o fiz. Mais uma vez quis ver-te e não pude. Mais uma vez quis voar para longe e reparei que já não tinha asas. Mais uma vez recordei a nossa história. Mais uma vez recordei o teu sorriso. Mais uma vez recordei as tuas lágrimas. Mais uma vez recordei o teu beijo. Mais uma vez senti a tua falta. Mais uma vez me senti sem forças. Mais uma vez atingi o limite da dor. Mais uma vez estilhacei a minha alma com as memórias do que fui, do que fomos. MAIS UMA VEZ QUIS MORRER E NÃO FUI CAPAZ. 

Mais uma vez, e outra, e outra, e outra................      

sinto-me: Uma m****
música: Your Guardian Angel

publicado por Morceguinha às 23:10
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